
Hoje, acompanhado de meu amigo Tarcísio Passos, cometi a insanidade de comparecer à
Feira da Providência. Pensei: vou chegar cedo, no primeiro dia, e terei a tranquilidade de comprar logo os melhores vinhos. Qual o quê!
Um calor de fazer inveja à
Expovinis! Ouvi rumores de que uma comissão paulista está vindo ao Rio para aprender a técnica de matar consumidores assados mais rapidamente! Nos corredores, o calor era africano. Nos estandes, com a iluminação feérica, era a própria sucursal do inferno. Não combina em nada com um evento promovido pela Arquidiocese do Rio de Janeiro!
E os cartões de crédito? Consumidores e comerciantes praguejavam sem parar contra a comunicação que não funcionava! Todas as tentativas de passar um cartão resultavam na fatídica mensagem:
"Falha TCP/IP", que sabe-se lá o que significa. Nada era autorizado e as filas não paravam de aumentar! É bom lembrar que esse problema foi exatamente o mesmo ocorrido na edição do ano passado. Parece que a Arquidiocese não está muito preocupada com o conforto dos consumidores!

Mas se houvessem bons vinhos, a gente suportaria qualquer coisa! Nem isso! A barraca da
Itália era sofrível. Apenas vinhos de baixa gama, de produtores obscuros! A de
Portugal, também não ficava atrás! Até tinha um Cartuxa por lá, mas a 75 reais era mais caro do que as usuais promoções dos Supermercados Mundial.
As barracas do
Líbano, da
Áustria, da
Alemanha e dos
Estados Unidos não ofereciam vinhos! E não havia barracas do
Chile, da
Argentina, do
Uruguai, da
África do Sul, da
Austrália e da
Nova Zelândia. Para piorar, a barraca da
França ainda não havia recebido os vinhos! Para os enófilos, um deserto! Fazer o quê?
Apenas a barraca da
Espanha, oferecendo vinhos da Importadora Península, se destacava em meio à mediocridade generalizada. Infelizmente, a barraca era tão pequena, tão quente e tão lotada, que era impossível ficar analisando as variadas ofertas de vinho que havia. Uma pena!
No dispensável supermercado, onde tudo o que há de pior estava disponível, encontrei meu esbaforido amigo Aguinaldo Aldighieri. Mas ele me contou que a barraca da França tinha uma lista de preços dos vinhos que iriam chegar, com barganhas do tipo Pomerol a 70 reais! Era só encomendar. O grande problema era que você deveria voltar na sexta-feira para buscar seus vinhos! Nem que a vaca tussa eu volto aos domínios de Satanás!
A única coisa em que nós pensávamos era sair de lá e desfrutar de um ar condicionado. Portanto, limitamos nossa visita às barracas dos países produtores de vinho. E uma rápida passada pelos estados do Rio Grande do Sul, onde também não havia vinhos, e de Minas Gerais, onde surpreendentemente, não havia nenhum produto alimentício!
Mas posso dizer que um destaque era a barraca da
Nostrosul, de Erechim-RS, com alguns salames, copas e picanhas bem interessantes!
Fora isso, se você caísse do céu dentro de qualquer outra barraca, poderia jurar que estava no
Camelódromo da Uruguaiana!
Durante o incêndio!